terça-feira, 12 de julho de 2011

Tantas vezes amei...



Porque tantas vezes amei, que nem sei se amei direito. Amei intensamente em vários momentos e tantas pessoas, que nem lembro se tive um grande amor, ou se banalizei o amor. Creio que não, posto que ainda sinto o amor pulsar fortemente por alguém que ainda nem veio. Não busco, sinceramente, mas espero e creio que está por chegar. E quero viver isso tudo de novo e da única forma que sei, sem inventar, só viver. Quero toda a oferta da vida incluindo os medos e os perigos,mas quero, quero mesmo. Não quero ficar pensando como deve ser ou numa forma perfeita, pré-concebida, eu quero é não querer.
Cada vez que amei, amei. Não tenho como dizer se foi muito ou pouco, só que amei. Também não desamei, amei de novo, sem deixar de amar a quem amei antes. Amo ainda, mas sem gerúndio, sem manutenção. Apenas uma lembrança boa.O amor é tão grande que não se pode medir. Assim, deve ser espalhado, semeado, ofertado, ser transformador,mas nunca transformado. O amor de tão amor, não podemos segurá-lo, não podemos prendê-lo, ele tem que simplesmente existir verdadeiramente, uma espécie de aura intocável, mas irradiante. Contudo o amor pode adoecer e passar a ter formas absurdamente feias, transformar amores em saudades, amizades em distanciamentos. Cuidar do amor é muito difícil, principalmente quando nos distanciamos dele e fazemos com que tudo pareça ruim.
Ninguém se prepara para amar, embora deseje ardentemente ser amado. Contudo, nem sempre retribuímos o amor que recebemos. Podemos ser amados por quem não conseguimos amar, de forma alguma. Às vezes a oferta de amor pode até ofender, com todo sua singeleza. Falando em singeleza como traço natural do amor, muitas das vezes a ausência dessa característica singela pode estar camuflada e confusa: paixão. Ai, que perigo delicioso!!! A paixão parece um amor forte, mas, apesar de sabidamente efêmero, todo mundo se engana, chamando-a de amor. Quem nunca se apaixonou loucamente??? Loucamente quer dizer, sem a menor noção de certo ou errado, de bom ou de mal, de grande ou pequeno. A gente simplesmente se joga e pronto. Da mesma forma, depois ficamos questionando porquês que não fazem o menor sentido. Mas, pegando o gancho inicial, quando falo de retribuição ao amor. Isso é muito complicado. A gente sempre se deixa trair pelos olhos, mas não vai aí nenhuma acusação, nem mea culpa, pois não podemos negar que a beleza exerce sobre a maioria das pessoas um fascínio inevitável. Os olhos selecionam o que vêem e, digamos que o coração ajuda na escolha, mas obtermos sucessos, são lá outros-quinhentos. Não raro, somos paquerados por quem não queremos, por meras preconcepções estéticas ou sociais e uma infinidade de outras razões e também amargamos o inverso, pois quando nos deixamos trair e investimos numa atração, pode acontecer que o outro lado simplesmente não se interesse. Quanto ao sucesso ele por si só se explica. Contudo, até esse sucesso pode ser artificial, posto que muitas vezes as relações se dão por interesses, nem sempre mútuos.
Embora não exista receita para amor, para relacionamentos existe. Pode-se pensar no tipo de pessoa que se deseja por perto, mas isso não garante nada. Não somo capazes de reunir nas pessoas todas as qualidades que desejamos, mas podemos ser contemplados pela sorte de termos pessoas pelo menos de boa índole. Mas isso não quer dizer que os cafajestes, não façam a alegria de alguns. Há quem os aprecie. Muitos optam por ter tudo quanto possam pagar, mas para esses vai um conselho: Esqueçam de qualquer alusão ao amor. Prazer e amor, nem sempre estão associados, nem sempre se comungam. O vazio que grita nos olhos dos que buscam prazer na venal é inconfundível. Muitas das vezes isso parece se dar porque, algumas pessoas, preferem ficar alguns minutos prostrados diante da beleza de um corpo, enquanto se envergonham do próprio corpo, a ponto de imaginarem-se indignas de serem realmente amadas por outras pessoas, verdadeiramente.
Isso tudo parece cruel, mas é real. Basta olhar as pessoas lutando para não serem elas mesmas, vivendo com as mentes tiranizadas pela estética e tentando serem o que não são. Essa ditadura da beleza, tão atual e com grandes chances de perpetuação, passa desapercebida por muitos. As pessoas não aceitam as outras como são porque não se aceitam como são. Não há equilíbrio nem sensatez. Em todas as rodas só se ouve falar em lipo isso, lipo aquilo, correção disto, correção daquilo, malhação, spa, regime dieta. Tudo bem, Saúde é fundamental, mas não ser bonito, definitivamente não é ser doente. Mas o mundo está doente. As pessoas estão cada vez mais egoístas e individualistas, no pior momento da humanidade, onde a ruína se aproxima de forma assustadora, mas banalizada pelo egoísmo. O dinheiro determina tudo, até chegar um dia em que ele não servirá nem para manter o fogo aceso.

Um comentário:

Rapha e Gaby disse...

Adorei esse texto!!!!!
Bjkas Nana